MENSURAÇÃO DOS CUSTOS HOSPITALARES DO AVC ISQUÊMICO NO BRASIL POR GRUPOS RELACIONADOS AO DIAGNÓSTICO (DRG)

  • Paula Daibert Grupo IAG Saúde
  • Ana Cláudia Abreu Grupo IAG Saúde
  • Marcelo Carnielo Planisa

Resumo

Fundamentação A mensuração de custos hospitalares ajustados por complexidade clínica é um desafio para sistemas de saúde em todo o mundo. A metodologia DRG Brasil Refinado possui a capacidade de dimensionar as diferenças de custo entre pacientes internados em diferentes níveis de severidade, oferecendo uma visão mais precisa e transparente da utilização de recursos. O acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi), por sua relevância clínica e econômica, representa um cenário ideal para avaliar essa capacidade.

Métodos Estudo observacional, retrospectivo, incluindo pacientes adultos (≥18 anos) internados por AVC isquêmico (CID-10 I63, I66) com alta hospitalar entre 2019 e 2024. A amostra é composta por 2.744 internações hospitalares. A análise foi conduzida pela metodologia DRG Brasil Refinado, considerando variáveis demográficas e clínicas, tempo de permanência hospitalar, uso de UTI, comorbidades e custos diretos hospitalares corrigidos. As comparações entre níveis de severidade foram feitas pelo teste de Kruskal–Wallis e pós-teste de Dunn com ajuste de Bonferroni. Modelos ajustados utilizaram regressão GLM Gamma com função log, fornecendo razões de custo (RC) entre os níveis de severidade.

Resultados Dos 2.744 pacientes analisados, 41,8% foram classificados como nível de severidade 1, 36,9% como nível de severidade 2, 18,0% como nível de severidade 3 e 3,3% como nível de severidade 4. A idade mediana foi de 70 anos, com equilíbrio entre os sexos e mediana de 3 comorbidades. O custo mediano da internação variou de R$ 8.500 (nível de severidade 1) a R$ 32.000 (nível de severidade 4). O teste de Kruskal–Wallis indicou diferença global significativa (H=367,6; p<0,001). O pós-teste de Dunn mostrou que nível de severidade 1 difere significativamente de todos os outros níveis, enquanto o nível de severidade 2 e o nível de severidade 3 não diferiram entre si (p=0,30). O modelo GLM ajustado confirmou que apenas N4 manteve associação robusta com o custo (RC=2,17; IC95%: 1,66–2,82; p<0,001), enquanto N2 (RC=1,11; IC95%: 0,94–1,31; p=0,24) e N3 (RC=1,06; IC95%: 0,78–1,44; p=0,70) não apresentaram diferença significativa em relação a N1.

Interpretação O estudo demonstra que o AVC isquêmico impõe ônus econômico substancial ao sistema de saúde brasileiro, sendo a severidade clínica capturada pelo DRG Brasil Refinado determinante central dos custos. A análise reforça a utilidade do DRG para ajustes de risco, comparabilidade inter-hospitalar e suporte a modelos de remuneração baseados em valor.

Palavras-chave: Custos hospitalares. Epidemiologia. Grupos de diagnóstico relacionados. Economia da saúde. Acidente vascular cerebral isquêmico.

Biografia do Autor

Ana Cláudia Abreu, Grupo IAG Saúde

Ana Cláudia Couto Abreu. Cientista de Dados do Grupo IAG Saúde, MBA em Data Science e Analytics. 

Marcelo Carnielo, Planisa

Mestre em Administração de Empresas

Publicado
2026-01-06
Como Citar
Daibert, P., Abreu, A. C., & Carnielo, M. (2026). MENSURAÇÃO DOS CUSTOS HOSPITALARES DO AVC ISQUÊMICO NO BRASIL POR GRUPOS RELACIONADOS AO DIAGNÓSTICO (DRG). Revista Científica Faculdade Unimed, 4(3), 49-65. https://doi.org/10.37688/rcfu.v4i3.241